segunda-feira, 12 de março de 2012

Poema 5

Jaula

Ouvi dizer que
as minhas palavras me ensurdeceram

Enquanto via a minha boca a cegar-me
E a minha mão a calar-me.

Eu cheirei o vulto das minhas mágoas
No momento em que ele me mantia debaixo d'água

Eu toquei, dedelhei a face do meu fim
Quando a última coisa que se via do meu corpo era a cabeça
E o resto, terra.

Estou sentado á frente da solução.
Tenho-a na pele.
Tenho-a na mão.

E tenho a minha cabeça submersa
E o resto, terra.

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